quarta-feira, 19 de abril de 2017

Quando quiser fechar os olhos...


...lembra que isso faz a imagem falar no silêncio.
Que as lembranças seguirão onde teus pés quiserem te levar e não será o fim de nada.
Porque não existe a morte, para os que creem.
Lembra da tua família, teus amigos, e aqueles que estão contigo em todos os momentos.
Lembra dos passeios pela relva escura, o orvalho da manhã acalmando as incertezas da noite e pungentemente cantando: há sempre um amanhã!
Dos dias chuvosos, que conseguem lavar até a alma e matar a sede dos animais. 
Lembra daquele dia de sol, o barulho das ondas trazendo a certeza de que há sempre companhia, a luz do sol incrivelmente banhando tua fronte e te fazendo enxergar um pouco de Deus.
Deus, teu pai amoroso, que te guia e te diz constantemente: eu te vejo e te amo, filho!
Ah, se tu soubesses o quão maravilhoso é enxergar esse amor incondicional...
O quão grande e poderoso é o Pai.
Ah, se tu soubesses enxergar que a solidão é uma escolha vazia, porque Ele está sempre contigo, mesmo que não consigas compreender, é Ele que te faz vivo- pra vir aqui e crescer.
Ah se tu soubesses o quão libertador é ter a certeza de que, em meio à mutabilidade das coisas, há algo tão certo, seguro e estático: o amor divino.
Quando quiser fechar os olhos, lembra desse texto e de mim; que também te amo- mesmo que não te conheça - mais pelo fato de querer, do mais profundo do meu eu interior, sorrindo e chorando, que um irmão sinta todo o esplendor que é viver.
Quando quiser fechar os olhos, lembra que só tu és o responsável pelas tuas escolhas, mas que elas podem te levar a conhecer maravilhas e à transformação do ser pela fé.
Acredite, a vida é bela.
Só é preciso saber enxergar.


                   




segunda-feira, 10 de abril de 2017

Angústia temporal





Passar o tempo, jamais, 
será a contento:
desejamos cada vez mais
esperar cada vez menos

E se o vazio insistir em nos acompanhar,
cheias serão as horas
desesperadamente a contar

Entrega-se o amor pelo meio
correndo como ondas no mar
ao relógio sem ponteiro
do tempo a naufragar

Que tempo, que horas ou amor
ainda haveremos de gastar,
para saber o quão amarga
é essa dor de esperar?





domingo, 2 de abril de 2017

Verdes são os jardins (ode a Camões)

Verdes são os jardins,
Mistura de cor da terra tem :
Assim são as íris
Do meu excêntrico bem.

Jardins, que te fecham
Em labirintos sem brechas;
Cupidos, com invisíveis flechas
Vossos mistérios ensejam,
Para encantar qualquer alma
Eu com eles hei de encher meu coração,
Perder toda minha calma.

As belas que nele passeiam
Em tão displicente contentamento,
Vosso pensamento
Não no compreendereis;
Isso que admireis
Não são jardins, não;
É o sentido dos olhos
Do meu coração.