segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Chuva de Setembro...


Deixa a chuva cair nessas pétalas doces.
Deixa a orquestra das gotas molhar a terra, tua testa cor de telúrio.
Deixa eu correr pra te encontrar num abraço molhado,
Da tua felicidade pueril experimentar,
E, depois, sorrindo, apenas deixar a chuva cair...E molhar.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Bluebells



Estrelas brilham mais... agora.
Na imensidão do Universo, dois sóis a sós.
É poeira, via láctea faceira, escondendo na cartola do tempo os seus segredos mais belos.
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Sky with diamonds. Não, Lucy, eu não me escondi.
Neste espaço eu viajei antes e entendi- o que não se entende. Só se sente....

.................................................................................................E brilha,
.................................................................................brilha,

...................................................brilha.

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Servitus Societas




Pergunta sempre a cada ideia: a quem serves? (Bertolt Brecht)

Servir. Ser útil. Usar. E depois, jogar fora?

Dizem dois franceses, aí, que todos nós somos escravos voluntários. Tenho minhas dúvidas...
Como falar em voluntariedade num mundo em que a sociedade sofre a ditadura do consumismo?? É melhor dizer que somos escravos de nós mesmos, de nossas vontades e ambições. Estamos presos aos abismos de nossas almas, saboreando, aos poucos, o veneno de nosso egoísmo doentio.
Somos mais como o fígado de Prometeu, que a águia da alienação devora a cada segundo e que a cada novo instante renascemos para sermos devorados novamente, num balé de horrores infinito. Se Prometeu roubou o fogo dos deuses para dar supremacia aos humanos, nós o usamos para fazermos nossas próprias fogueiras.



Quando pensamos primeiro em nós, levantamos a bandeira do individualismo opressor. Trocamos nossas almas pelo poder destrutivo da mercadoria, viramos Dorians Grays, buscando aquilo que traz felicidade etérea, passageira; enquanto nosso retrato de uma sociedade mais produtiva, justa e igualitária sofre as consequências de nossas vicissitudes consumistas.
Mas, o pior de tudo é saber que há aqueles que não querem ver que suas piscinas estão cheias de ratos.

"Ignoram o que deveria ser a única e legítima reação dos explorados. Aceitam sem discutir a vida lamentável que se planejou para eles. A renúncia e a resignação são a fonte de sua desgraça" (Jean-François Brient)".


Para finalizar, há mais palavras a se dizer, mas o tempo não pára. Não estou sendo hipócrita comigo mesma, se não percebeu, incluí-me nos sujeitos, infelizmente. Mas, pelo menos, não foi nos objetos e espero ser absolvida no tribunal da consciência, porque de boas e pequenas idéias nasce a revolução... É ou não é?

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

O Invisível



O invisível, aquilo que habita em meu coração e, vez por outra, passa férias em minha mente, resolveu tirar umas férias maiores. E ele me perguntou:

- Será que eu posso visitar alguns parentes no Chile?

E eu, como não o venho encontrando com assiduidade, respondi:

- Claro que sim. Quem sou eu para meter-lhe algemas...É mais fácil você me prender. Aliás, saiba que por ser invisível você também é fugaz, então tome cuidado para não desaparecer.

Ele apenas deu de ombros e se foi.

Acontece, porém, que ontem, assistindo ao Jornal Nacional, percebi que ele se fez visível. E muito, posso atestar. Tão visível que, por um momento, fiquei com medo de que as pessoas pudessem fazer alguma coisa com ele, sufocá-lo, sei lá... Mas ele voltou a ficar invisível esta manhã. E me ligou!

- Susana, achei várias moradias habitáveis aqui. O problema é que só me sinto em casa aí...

Fiquei feliz e falei o óbvio:

- Então..Volte!

E, nosso pequeno invisível disse...

"O fogo apaga tudo, tudo um dia vira luz. Toda vez que falta luz, o invisível salta aos olhos... Mas não saltarei aí, porque aí vocês são cegos. E é o que Saramago diz..Vocês não sabem, não o podem saber, o que é ter olhos num mundo de cegos."

Touché. A RESPOSTA.
Essa resposta! O sentido dessa narrativa toda. Não. O sentido de todos os pontos e entrelinhas do pensamento da sociedade brasileira.